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PASSAGENS EVANGÉLICAS (I)

Estava re-estudando o “Sermão da Sexagenária” de nosso querido Padre Antonio Vieira e deparei-me com coisas interessantes, antes do assunto em si cumpre lembrar que Viera fez esse discurso em 1665, diante de uma platéia de padres católicos, como ele mesmo o era, abordando a problemática que tinham na época que era o vazio que os sermões de então, e mesmo muitas palestras espíritas e espiritualistas de hoje, causam nos diversos corações, pois tanto aqueles quanto essas não conseguem de forma efetiva atingir os corações, iniciando no íntimo de cada criatura o processo de reforma necessário à liberdade de suas chagas e dores. Vamos iniciar nossa análise com essa passagem:

“...Tentou o Demónio a Cristo a que fizesse das pedras pão. Respondeu-lhe o Senhor: Non in solo pane vivit homo, sed in omni verbo, quod procedit de ore dei. Esta sentença era tirada do capítulo VIII do Deuteronómio. Vendo o Demónio que o Senhor se defendia da tentação com a Escritura, leva-o ao Templo, e alegando o lugar do salmo XC, diz-lhe desta maneira:” ...” «Deita-te daí abaixo, porque prometido está nas Sagradas Escrituras que os anjos te tomarão nos braços, para que te não faças mal.» De sorte que Cristo defendeu-se do Diabo com a Escritura, e o Diabo tentou a Cristo com a Escritura. Todas as Escrituras são palavra de Deus: pois se Cristo toma a Escritura para se defender do Diabo, como toma o Diabo a Escritura para tentar a Cristo? A razão é porque Cristo tomava as palavras da Escritura em seu verdadeiro sentido, e o Diabo tomava as palavras da Escritura em sentido alheio e torcido; e as mesmas palavras, que tomadas em verdadeiro sentido são palavras de Deus, tomadas em sentido alheio, são armas do Diabo.”...”O Diabo tentou a Cristo no deserto, tentou-o no monte, tentou-o no templo:”...”no templo, tentou-o com as Escrituras mal interpretadas, e essa é a tentação de que mais padece hoje a Igreja, e que em muitas partes tem derrubado dela, senão a Cristo, a sua fé.“ (Sermão da Sexagenária – Pe. Antonio Vieira.1655) (os grifos são nossos)

Passamos, por desconhecimento de causa, lendo o texto dos Evangelhos e não nos atentando aos reais motivos que ali foram colocadas cada palavra, cada sentido, cada passagem.

Veja-se a importancia dessa passagem estudada por Vieira donde, em síntese, retira: “... e as mesmas palavras, que tomadas em verdadeiro sentido são palavras de Deus, tomadas em sentido alheio, são armas do Diabo.” – que profundidade de análise, que raciocínio tinha esse homem!

Assim também que hoje, dentro dos estudos Espiritualistas e Espíritas, devemos analisar e avaliar cada palavra dita venha de Espíritos desencarnados ou não, afinal o mesmo texto dito de uma forma pode nos ser extremamente valioso e, de outra, nocivo e danoso a ponto de nos direcionar em sentido adverso do que imaginamos ideal. Assim que em Isaias, esse glorificou ao Messias, dizendo que os anjos do céu o guardariam, assim também o Espírito sem Deus utilizou-se da mesma frase desafiando a Jesus que se atirasse de cima do templo e, é claro, morresse. Estejamos atentos aos conselhos e comentários que nos fazem em palestras, discursos, etc. Será que são as palavras de Deus utilizadas em seu sentido real? E os livros, mediúnicos ou não? Contam todos com as verdades divinas? Amigos, é necessário que possamos ver a verdade diante de nossos olhos e começar a separar o joio do trigo, afinal não queremos ser iludidos por qualquer Espírito que se nos apareça, muita das vezes com nome pomposo ou que não o seja, mas sim queremos ser guiados por Espíritos Iluminados que nos indiquem os caminhos reais para nosso progresso e nossa ascenção junto à eternidade.

No próximo texto continuarei a estudar outras passagens desse sermão que, apesar de escrito há tanto tempo e para público diferente do nosso, é um porto seguro diante do mar de incertezas que encontramos em diversos oradores, diversos dirigentes e, o que é pior, em diversos médiuns que iludido, também eles, pelas palavras de Espíritos sem Deus, fazem apologia de falsas idéias, de falsas doutrinas e de falsas verdades para confundir e dividir esse movimento maravilhoso iniciado pelo Espírito de Verdade e por Allan Kardec.

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